sábado, 28 de janeiro de 2017

Piloto da Jo

Nem sempre tive a mania de que sou palhaça. Nunca fui fã do Batatoon e tinha medo do Batatinha. Desconfiem sempre de um homem maquilhado que se auto-intitula com o diminutivo de um tubérculo e cuja voz indicia a existência da introdução permanente de possíveis turbéculos nas suas cavidades tuberculares. Seja lá o que isso for. 
Ainda assim, eu não perdia nem um episódio do programa. Só daqui os meus pais deviam ter desconfiado que eu tinha sérios problemas de coerência, mas eles sabiam, bem lá no fundo, que não valia a pena. Do Companhia eu gostava. Sempre tive um fraco por aqueles que não conseguiam alcançar o devido protagonismo e sucesso na vida, havia qualquer coisa de premonitório em mim já nessa altura. Sempre me perguntei se o penteado terá sido inspirado na Marge Simpson, ou se será uma sátira ao nome tubercular do seu companheiro.
Dava bons desenhos animados, sim senhor, lembro-me de esconder a cara nas cenas mais violentas do Samurai X. Basicamente as minhas tardes eram passadas com uma almofada a tapar a cara e um sentimento de sofrimento e angústia no peito. Vá-se lá entender a criançada de agora! Não sabem o que é ter infância!
Posto isto, resta-me desvendar o mistério do que aconteceu a seguir. Trata-se de uma inevitabilidade, eu bem que não queria, mas aconteceu: cresci. E comigo cresceu a mania de que sou engraçada e de que tenho piada, e o consequente gosto aditivo de fazer rir as pessoas. Com o passar da idade, perdi umas quantas coisas na vida, excepto cabelos brancos, inclusive perdi a noção do ridículo. Se alguém souber para onde foi, que a mantenha longe de mim!
Já me disseram que as gargalhadas que as minhas palhaçadas originam têm como base sentimentos de pena, de ironia, ou de pura boa educação. E eu até sou capaz de concordar. Seja como for, mais uma vez, mantenham a verdade longe de mim. Deixem-me viver na mentira. Ser ignorante é felicidade! Pelo menos ouvi dizer. Desde aí que me esforço por ser ignorante, mas isso é outra conversa.

Portanto, aqui estou eu.

Jo